Estudante cabo-verdiana suicida-se na Bolívia

O corpo da jovem, de 26 anos foi encontrada sem vida na sua residência, e de acordo com a autópsia, a causa da morte é o suicídio por ingestão de produto químico.

STJ reduz pena de 25 anos para homem que assassinou a namorada

O Supremo Tribunal de Justiça reduziu a pena de 25 anos de prisão aplicada ao cidadão Adilson da Luz pelo assassinato da namorada, Nádia Aleixo.

Gatunos encapuçados assaltam loja e atacam funcionária com coronhadas de pistola na cabeça

A Polícia Nacional deteve um dos gatunos, que é reincidente na matéria de roubo e por ora regressou a prisão.

Jovem de Cruz João Évora baleado com boca bedjo no braço direito e nas nádegas

Durante uma rixa entre dois grupos, um jovem foi baleado, cujo disparo foi efectuado com uma pistola “boca bedjo”.

Ex agente da Polícia Nacional condenado a 12 anos e oito meses de prisão por matar o marido da enteada

Acusado de um crime de homicídio agravado, o juiz analisou os factos que culminaram no homicídio e fez a atenuação da pena.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Drama: Comandante do navio Vicente contribuiu para a tragédia que provoca lágrimas e sofrimento

Em declarações, a Ocean Press, Daniel Gomes, com mais anos em serviço do navio Vicente, que afundou na noite do dia 8 Janeiro no largo da Ilha do Fogo explicou os meandros do naufrágio e revelou que a embarcação estava sobrecarregada. O tripulante disse que o Comandante revelou-se "autoritário e teimoso" quando lhe informaram que seria perigoso seguir viagem com o "Vicente" naquele estado, isto é, com carga a mais e um desvio de seis graus para o lado do estibordo. E, para piorar a situação, quando faziam manobras para entrar no Porto de Vale dos Cavaleiros, o Comandante e o Imediato deram ordens erradas, e em 5 minutos ocorreu uma tragédia, com três mortes, 12 desaparecidos e 11 encontrados com vida. 


Videoreportagem





domingo, 11 de janeiro de 2015

Rap Soldiers: "o nosso lema é fazer música para o povo"

A perspectiva dos elementos do Rap Soldiers passava por lutar pelo Rap Kriol, e apresentar aquilo que o povo tem medo de expressar. “O nosso lema é fazer música para o povo, isto é, procurar mudar aquilo que está mal no nosso meio, mas isso sempre a dar ao povo um ânimo, e no final todos nós iremos levantar as mãos e dizer que conseguimos”.


No dia 18 Novembro 2007, na ilha de São Vicente, surgiu o grupo musical, Rap Soldiers, que prossegue a sua caminhada na valorização do Hip Hop cabo-verdiano. Soulj, elemento do grupo revela que nestes sete anos, enfrentaram muitas barreiras e dificuldades. Mas, assegura que “sempre com fé em deus, e esperança que os dias de sucesso iriam chegar”.

Para Rap Soldiers, o lançamento do primeiro trabalho, um mixtape, intitulado “Elizender”, a 3 Maio 2013 representa uma etapa na concretização dos objectivos traçados pelo grupo. “Foi um grande sucesso, e até hoje recebemos felicitações por esse trabalho musical”.


Biografia

Questionado como se deu a escolha do nome do grupo, Soulj revela que no início escolheram “Soldados do Rap”, junto com o colega, Romário. A perspectiva dos elementos passava por lutar pelo Rap Kriol, e mostrar aquilo que o povo tem medo de expressar. “O nosso lema é fazer música para o povo, isto é, procurar mudar aquilo que está mal no nosso meio, mas isso sempre a dar ao povo um ânimo, e no final todos nós iremos levantar as mãos e dizer que conseguimos”.

Soulj afirma que 2015 vai ser o ano de afirmação do grupo, na medida que tem em carteira a apresentação ao público, dois trabalhos, isto é, iniciar o ano com um novo mixtape, e no final concretizar o objectivo máximo, produção de um álbum em CD, a ser lançado no mercado.

Apoios


Rap Soldiers teve na sua caminhada no Hip Hop Cabo-verdiano, vários músicos que os apoia na sua luta a favor da sociedade. Fora da esfera musical também há pessoas que estão a ter um papel importante no desenvolvimento da sua acção. É o caso do jovem activista mindelense, Vander Gomes, que já foi manager de Elizender, Mad Rappers. Este jovem apostou no Rap Soldiers, e Soulj explica que com essa parceria já realizaram shows em Santo Antão, Sal, o que permitiu “levar a nossa música” para fora da ilha de São Vicente.           

João Branco apresenta olhar crítico com o livro Crónicas Desaforadas

Crónicas Desaforadas é o título do livro da autoria de João Branco, e que resulta da selecção de 30 textos, de cerca de 200 crónicas escritas em cinco anos, de 2008 a 2013 no seu blog, que se intitulou “Café Margoso”, e ainda no Semanário "A Nação". João Branco justifica o título como um olhar crítico sobre várias questões, que têm um foco vincado na Cidade do Mindelo. Mas, o autor explica que ainda, há crónicas que debruçam em aspectos relacionados com Cabo Verde.  

Capa do livro Crónicas Desaforadas

O entrevistado diz que escreve a partir da experiência pessoal, e da sua vivência na Cidade do Mindelo, mas que escreve para todos os cabo-verdianos, e que a sua escrita inclui ainda assuntos internacionais. “O estilo, a forma de escrita, a ironia implícita nos textos são resultados da minha vivência no Mindelo, da minha condição de mindelense. E, o livro é uma selecção de textos que achamos mais interessantes para o grande público ler”.  
  
Autor de Crónicas Desaforadas
A obra será lançada no dia 16 Janeiro, pelas 18h30 no Palácio do Povo, ilha de São Vicente. A apresentação do livro será realizada por Manuel Brito-Semedo e Abraão Vicente, num ambiente com requinte de criatividade e partilha cultural que sublima as perspectivas do autor de “Crónicas Desaforadas”.

O livro tem a direcção artística da escritora Márcia Souto e do poeta Filinto Elísio, a fotografia de capa é da autoria do cabo-verdiano Hélder Paz Monteiro e o design gráfico é de Henrique Branco. João Branco acrescenta que é uma “suprema honra” que o prefácio de “Crónicas Desaforadas” seja da autoria de Jorge Carlos Fonseca, presidente da República de Cabo Verde, que aceitou prefaciar o seu livro que é editado pela editora cabo-verdiana, Rosa de Porcelana.

A editora Rosa de Porcelana começou a sua actividade em 2013 e já editou obras do Ministro do Ensino Superior, Ciência e Inovação, e historiador, António Correia e Silva, e do poeta e Prémio Camões, Arménio Vieira. “Depois desses dois autores, é uma honra ser o terceiro contemplado”. 

Videoreportagem



Mistério: O que aconteceu com as 12 pessoas desaparecidas após naufrágio do navio Vicente?

As autoridades têm esperança de encontrar as pessoas que continuam desaparecidas após o naufrágio do navio Vicente na Ilha do Fogo. Por ora, 12 pessoas continuam ainda desaparecidas. Já se resgataram 11 com vida, registaram três mortes, inclusive uma criança, que faleceu nos braços do pai. Nas próximas horas, as buscas têm por base encontrar os desaparecidos com vida, ou fazer o resgate de quem perdeu a vida no naufrágio. Há suspeitas de que haja corpos no interior do navio, cujo o paradeiro da sua localização no mar da ilha do Fogo é um mistério.


Os Serviços Nacional de Protecção Civil avançam que as buscas continuam infrutíferas ma medida que ainda não encontraram qualquer pessoa que consta da lista dos desaparecidos. As condições do mar e do tempo estão a interferir nos trabalhos das autoridades que procuraram os desaparecidos, mas os Serviços Nacional de Protecção Civil defendem que as buscas entre as Ilhas do Fogo e da Brava vão prosseguir. 

Diz o ditado que a esperança é a ultima a a morrer, e assim as autoridades têm como objectivo é descobrir o paradeiro dos cidadãos dados como desaparecidos e que seguiam a bordo do navio Vicente, que afundou nas imediações do Porto de Vale dos Cavaleiros na noite do dia 8 Janeiro, e cujo paradeiro ainda é um mistério.

As autoridades marítimas e o SNPC revelam que as buscas vão ser realizadas até o período em que se averiguar que "a esperança de encontrar pessoas forem nulas", e adiantam que os meios foram reforçados com a chegada de um navio e de um avião de Portugal, que conta com o apoio do navio Djon Dade, rebocador Damão, barco Mar Linda e meios aéreos que auxiliam nas buscas, bem como agentes da Polícia Nacional, voluntários e militares que fazem buscas apeado pelas encostas das ilhas do Fogo e Brava. 

Desaparecidos

O comandante Cláudio Serrer Gonzalez é dado como morto, uma vez que os outros tripulantes que sobreviveram não o viram saltar do navio, quando este se afundou. O mesmo acontece com o imediato, José Angel Auquet Tellez, que também não foi visto a saltar da embarcação. Quanto ao chefe de máquina, Lazaro Abreu Chapey morreu devido ao cansaço. Não conseguiu agarrar-se a uma corda quando a equipa de salvamento tentou resgatá-lo. O corpo ainda não foi encontrado pelas autoridades que realizam as buscas.

De entre os 18 tripulantes presentes na embarcação estão ainda desaparecidos o contra-mestre João da Luz Lopes, Danilson Inocêncio, Eunice Monteiro Mendes, Osvaldino Rodrigues, Pedro e Adilson Lopes. O cozinheiro, João Camilo , e o 1º motorista, Gualdino Monteiro também são dados como morto, mas os seus corpos ainda não foram resgatados.

Na sequência de diligências foram resgatados João Domingos Tavares (2ª Oficial do navio Vicente), Daniel Gomes (3º motorista), Emanuel “Vela” Augusto Fortes (estagiário na embarcação), Dirce Eneida do Carmo, e Armínio Santos, Dalilo Fernandes, Valdir  dos Santos, Maria da Luz Pires (tripulantes) e Arickson Fonseca (agente do Tuninha).

Quanto aos oito passageiros que embarcaram já foram resgatados Antónia Dias e José Eduardo Mendes cujo filho, de 4 anos, terá morrido nas mãos do próprio pai. Mas, há ainda passageiros que continuam desaparecidos, de entre eles, Sandra Varela, esposa do delegado da Agência Marítima e Portuária na Ilha do Fogo.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Crónica: do naufrágio do navio Dilza após incêndio a bordo á um cenário de tragédia com Vicente

O Radar News Online faz uma retrospectiva a cerca de navios de passageiros, bem como de cargas que sofreram acidentes nos mares de Cabo Verde. O sector dos transportes marítimos tem registados casos que causam caos, isto é, a insuficiência de navios nas rotas fazem os cabo-verdianos bradar ao céu. Mas, há histórias envolvendo barcos de bandeira nacional que causam sofrimento e angústia, fazem as pessoas derramarem lágrimas pela perda de familiares e amigos. A viagem no tempo começa em 2006 com o incêndio a bordo, seguido de afundamento do navio de carga, Dilza e culmina numa tragédia que envolve o navio Vicente, com registo de três mortes e 12 desaparecidos, e 11 pessoas encontradas com vida.

Navio Vicente, da Companhia Tuninha
Este online embarca numa viagem onde várias pessoas até o dia de hoje guardam recordações, que com o passar do tempo não saem da memória. Há outros que trazem marcas no corpo e coração por causa de um dia onde passarem por situações que não desejariam a ninguém que estivesse em alto-mar. Sabe-se que para o público ficaram perguntas por responder: como ocorreu os naufrágios ou encalhes, quem são os culpados e as medidas que deveriam ser tomadas para garantir a certificação e viagens em segurança.

Mas, é sabido que em Cabo Verde, em muitos casos, a culpa morre solteira, e no sector dos transportes marítimos essa situação não foge a regra, independentemente de casos onde se provou serem acidentes sem negligência humana. É, que quem averigua nunca vem a público apresentar os relatórios finais das investigações e dissipar todas as dúvidas.

Historial

Porém, deixemos de lado aquilo que se sabe que vai continuar a ser uma realidade em Cabo Verde e avancemos para o primeiro caso. O navio "Dilza", que transportava combustíveis inter-ilhas, ao serviço da Enacol se incendiou no dia 17 Janeiro 2006, e depois de estar em chamas afundou-se nas proximidades do ilhéu Raso, ilha de Santa Luzia. Na altura dos factos, o capitão dos Portos de Barlavento, Manuel Monteiro, que se deslocou ao local para "avaliar a situação", afirmou não existirem grandes riscos para o meio ambiente, uma vez que o combustível foi, na sua maior parte, consumido no incêndio. A tripulação do navio, constituída por 10 pessoas, foi socorrida por um barco de pesca que se encontrava nas imediações do local do sinistro, tendo sido transportada para a ilha de São Vicente. 

Dilza, pertencia a Cia Crivinave

Companhia Polaris perde dois navios

A saga de desastres com navios em Cabo Verde prosseguiu em 2008, a Companhia de transportes marítimos, Polaris perdeu dois navios de passageiros e cargas, no espaço de um mês. Estes dois casos até hoje são relembrados por tripulantes dessa empresa que viveram os dois naufrágios. 

Navio Barlavento da Cia Polar

A primeira foi a emblemática embarcação, Barlavento construída junto com o Sotavento em estaleiros navais na Alemanha. Na noite 2 Abril 2008, por volta das 23h15, a sul a sul da ilha do Fogo, na Baixa de Pescadeira, o navio Barlavento encalhou com 11 passageiros e 15 tripulantes a bordo, que foram evacuados algumas horas depois. As autoridades marítimas estavam a tentar rebocar o navio de volta para a capital, cidade da Praia, mas as operações acabaram por não ter sucesso, uma vez que a embarcação acabou por afundar.

A frota da empresa Polaris ficou reduzida com a perda deste navio. Mas, não antevia que o azar iria continuar a bater-lhe as porta. O N/M Musteru afundou-se na noite de 6 Maio, ao largo de Porto Mosquito, ilha de Santiago, enquanto ia de viagem para a ilha do Fogo. O navio afundou-se depois da carga que transportava ter tombado para um dos lados devido à forte ventania que se fazia sentir. A água começou a entrar no Musteru e a tripulação não teve outra alternativa senão abandonar o barco e salvar as 109 pessoas que seguiam para o Fogo. Ninguém ficou ferido durante o acidente nem durante a operação de salvamento.

Musteru a afundar-se ao largo de porto Mosquito

Encalhes

O navio "Terry Tres" encalhou no dia 9 de Setembro 2012, ao largo da praia de Francisca, na ilha de Santa Luzia, Cabo Verde. Vinha da ilha de Boa Vista e tinha como destino a ilha de Santo Antão para embarque de máquinas e contentores. O seu encalhe nessa zona em Santa Luzia continua a ser um mistério por descobrir, nas medidas que as autoridades marítimas revelaram que o navio poderia ter zarpado por uma zona sem perigo. Por ora, a embarcação que foi dado com perdido a favor do Estado de Cabo Verde está a ser desmantelado por uma empresa estrangeira. 

Terry Tres na praia Francisca, Santa Luzia

Mistério

No domingo, 8 Setembro 2013, o navio Rotterdam, concebido inicialmente para a pesca e que sofreu modificações com vista à sua transformação numa embarcação para o transporte de cargas, deixou o porto da cidade da Praia rumo à ilha da Boa Vista onde deveria atracar no porto de Sal-Rei na segunda-feira, 9 Setembro. As autoridades marítimas, bem como os familiares, perderam o contacto com a tripulação que trabalha na embarcação. As autoridades marítimas deram o alerta a todos os barcos que estavam nas nossas águas no sentido de ajudarem a localizar a embarcação, mas o certo é que o caso do desaparecimento do Rotterdam continua a ser um mistério por esclarecer.

Rotterdam

Choque

Um novo encalhe veio a acontecer desta feita após o choque entre dois navios, a entrada do cais da Praia durante o exercício de manobras. O acidente entre o Sal rei e o navio-tanque Cipreia, da empresa Vivo Energy que faz o transporte de combustível inter-ilhas aconteceu no dia 31 Outubro 2013. A colisão aconteceu no canal de acesso ao porto da Praia quando o navio-tanque Cipreia saía do porto em direcção à ilha do Fogo e o Sal Rei vinha a entrar.

Sal Rei encalhado na baía do Porto da Praia, Santiago

Os tripulantes e passageiros do navio Sal Rei foram resgatados por um outro navio que estava no Porto, o Djon Dade, sem nenhum ferimento. A colisão provocou o desequilíbrio do Sal Rei, que entrava no porto, o que fez encalhar o navio perto do ilhéu de Santa Maria, mas depois de várias operações viria a ser resgatado e por ora se encontra atracado no cais da CABNAVE na ilha de São Vicente.

Navio Cipreia após o embate com Sal Rei

Resgate

Em Maio 2014, no dia 31 ocorreu mais um encalhe que culminou no resgate dessa embarcação. O caso aconteceu na ilha de São Vicente e envolveu o navio Tarrafal que devido ao forte vento que se fazia na Ilha do Monte Cara foi arrastado do Porto Grande onde estava fundeado e só parou na zona da Galé. 

Tarrafal encalhado na zona da Galé, São Vicente

O navio que operou regularmente em Cabo Verde durante quase uma década, sob a chancela da companhia STM, há muito que constitui um perigo a navegação na Baía do Porto Grande porque se encontrava fundeado e totalmente às escuras. Da tripulação, antes constituída por 25 pessoas, a empresa manteve a bordo apenas um guarda. E, ao que tudo indica, em condições precárias porque ficou sem combustível e alimentação. Com a acção do vento foi parar a Galé, onde acabou por ser retirado por um rebocador das Canárias, e agora está atracado no Porto Grande, por questões de segurança.

Averiguações

O navio Pentalina-B encalhou na praia de Moia Moia, região do Concelho de São Domingos, por volta das 2 horas da madrugada na quinta-feira, 5 Junho 2014. Todos os passageiros que estavam a bordo, 69 adultos e 16 crianças foram retirados do navio com ajuda de um rebocador. Dias depois foi feito uma rampa de acesso a terra que permitiu a retirada de carros e cargas. O Pentalina-B operava em Cabo Verde desde 2009 e acabou por encalhar junto a um rife, e o caso pelas averiguações realizadas pelas autoridades apontou que se deveu a negligência humana que o levou a ficar próxima de terra até esta data.

Pentalina B encalhado na zona de Moia-moia

Volvidos dois meses, no dia 3 Agosto, o navio John Miller, propriedade da empresa de combustível Enacol, afundou-se no Porto da Boavista quando se preparava para fazer uma descarga de combustível e gás na ilha. Durante diligências foram recuperadas várias mercadorias que estavam a bordo da embarcação, bem como equipamentos que continham combustível e gás. Já o "John Miller" não foi resgatado e ainda continua nas profundezas da baía do Sal Rei.

Navio John Miller afundando na baía de Sal Rei, Boa Vista

Tragédia

E, para fechar esta retrospectiva, um caso que tirou o sono a muitos cabo-verdianos: o afundamento do navio Vicente, da Companhia Tuninha, na noite do dia 8 Janeiro 2015, nas imediações do Porto de Vale dos Cavaleiros, na ilha do Fogo. A sobrecarga do navio, aliada as condições do mar e do tempo, indicada por manobras perigosas por determinação do Comando do Vicente podem ter ditado o desfecho do naufrágio mais trágico no últimos oito anos em Cabo Verde: Três mortes confirmadas, 12 desaparecidos e 11 pessoas encontradas com vida... As buscas prosseguem e há esperança de se encontrar sobreviventes ou corpos dos desaparecidos. 

























Naufrágio do navio Vicente: Ainda não foram encontradas as 12 pessoas desaparecidas

As autoridades marítimas e os Serviços de Protecção Civil têm esperança de encontrar com vida as pessoas que continua desaparecidas após o naufrágio do navio Vicente, na noite do dia 8, nas imediações do Porto de Vale dos Cavaleiros, na Ilha do Fogo. Dos 26 cidadãos que estavam a bordo da embarcação, 12 pessoas continuam ainda desaparecidas no mar da Ilha do Fogo. Já se resgataram 11 com vida, registaram três mortes, inclusive uma criança, que faleceu nos braços do pai. Nas próximas horas, as buscas têm por base encontrar os desaparecidos com vida, ou fazer o resgate de quem perdeu a vida com o naufrágio. 


Os Serviços Nacional de Protecção Civil avançam que as buscas iniciadas na manhã de sábado, 10 Janeiro continuam infrutíferas ma medida que ainda não encontraram qualquer pessoa que consta da lista dos desaparecidos. As condições do mar e do tempo estão a interferir nos trabalhos das autoridades que procuraram os desaparecidos, mas os Serviços Nacional de Protecção Civil defendem que as buscas entre as Ilhas do Fogo e da Brava vão prosseguir. Pois, o objectivo é descobrir o paradeiro dos cidadãos dados como desaparecidos e que seguiam a bordo do navio Vicente, que afundou nas imediações do Porto de Vale dos Cavaleiros, e cujo paradeiro ainda é um mistério.

As autoridades marítimas e o SNPC revelam que as buscas vão ser realizadas até o período em que se averiguar que "a esperança de encontrar pessoas forem nulas", e adiantam que os meios foram reforçados com a chegada de um navio de Portugal, que conta com o apoio do navio Djon Dade, rebocador Damão, barco Mar Linda e meios aéreos que auxiliam nas buscas, bem como agentes da Polícia Nacional, voluntários e militares que fazem buscas apeado pelas encostas das ilhas do Fogo e Brava.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Naufrágio do navio Vicente: Três mortes confirmadas num caso com indícios de negligência humana

As autoridades marítimas e os Serviços de Protecção Civil têm esperança de encontrar com vida as pessoas que continua desaparecidas após o naufrágio do navio Vicente, na noite do dia 8, nas imediações do Porto de Vale dos Cavaleiros, na Ilha do Fogo. Dos 26 cidadãos que estavam a bordo da embarcação, já se resgataram 11 com vida, recolheram três cadáveres, inclusive uma criança, de seis anos que faleceu nos braços do pai. Nas próximas horas, as buscas têm por base encontrar as 12 pessoas que ainda continuam desaparecidas no mar da Ilha do Fogo. Os indícios recolhidos numa primeira fase  de averiguações apontam que o acidente se resulta de negligência humana, por parte de quem comandava o navio. 





Nesta sexta-feira, 9 Janeiro, as autoridades marítimas e os Serviços de Protecção Civil, militares, acompanhados de um helicóptero da Força Aérea Espanhola, os navios, Ostrea, Kriola, Mar Linda e o rebocador Damão, a empresa de aviação Cabo Verde Express realizaram diligencias de patrulha. Depois de procederem ao resgate de três pessoas, um Segundo oficial, João Domingos, um terceiro motorista, Daniel Gomes, e uma passageira, Antónia Dias, logo no primeiro dia do naufrágio. 



Nesta quarta-feira recolheram com vida o estagiário, Manuel "Vela" Fortes, os cadáveres de uma criança de seis anos, de um homem de nacionalidade cubana, o chefe de máquina, Lazaro Abreu Chapey, e de um indivíduo também da Ilha de São Vicente, de nome Carlos  Delgado de Pina, conhecido por "Canja", que residia em Fernando Pó. 



Resgate



Por outro lado foram resgatados com vida, membros da tripulação como Dalilo, da zona de Ilha de Madeira, São Vicente, Dirce Nascimento, Arickson Fonseca, Valdir dos Santos e Arminio Santos, José Eduardo, jogador da Académica do Fogo, e uma pessoa cuja identidade ainda não foi revelada. De realçar que 12 pessoas continuam desaparecidas, e que com o início da noite, dada a escuridão e condição do mar e do vento, as buscas foram suspensas e serão retomadas na manhã deste sábado no sentido de se encontrar mais sobreviventes. 


Recorde-se que em relação ao afundamento do navio Vicente, membros da tripulação que conseguiram escapar a tragédia revelaram que o Capitão da embarcação, e o Imediato, todos cidadãos de nacionalidade cubana tiveram um comportamento reprovável, ao não aceitarem as sugestões dos subordinados. 

Sugestões

No caso do Capitão, antes de sair do Porto da Praia foi lhe comunicado por pessoas que assistiram a colocação das cargas, de que o Vicente tinha um desvio de 6 graus para o lado de estibordo, mas este defendeu que sabia os meandros do seu trabalho e que a viagem iria decorrer da melhor forma. Por sua vez, o Imediato foi informado por subordinados, isto é tripulantes, que a havia sobrelotação de carga , bem como essa informação chegou ao Capitão que retorquiu que a tripulação estava no navio para cumprir ordem superiores. 

Já nas imediações do Porto de Vale dos Cavaleiros, na Ilha do Fogo, local de destino do navio Vicente, o comando da embarcação foi informada pelas autoridades marítimas que tinha de aguardar a saída do navio Ostrea, da Companhia de Combustíveis, Vivo Energy para depois fazer a sua entrada no Porto. 

Explicações

Mas, segundo tripulantes que sobreviveram a tragédia, "o navio estava inclinado para estibordo e estava sobrecarregado. O acidente se deveu ao mar grosso e principalmente ao forte vento. O Segundo Oficial do navio naufragado explica ainda que o navio Ostrea não prestou auxílio adequado porque o Comandante do navio Vicente não pediu socorro ao Ostrea, apenas pediu o seu afastamento, ao invés de dizer que Vicente se afundava. 

"E que este deu início a uma série de manobras estranhas, pelo que o Capitão mandou virar o navio a bombordo. Mas, o Segundo Oficial e o Terceiro Motorista disseram que  a melhor opção seria para estibordo devido ao mau tempo, pelo que após insistência do Comando do navio, a força tiveram de acatar as suas ordens, e ao sofrer uma rajada de vento virou-se de lado e em cerca de cinco minutos se afundou sem deixar rastos" explica a tripulação.

As causas do acidente estão a ser apuradas pelas autoridades no sentido de se saber o que levou ao afundamento do navio Vicente que tinha a bordo 26 pessoas, sendo que três já morreram e 12 continuam desaparecidas no mar. O certo é que pelas informações iniciais recolhidas junto da tripulação, as autoridades competentes na matéria de averiguação do caso suspeitam que a negligencia humana, aliada ao mau tempo que se faz sentir em Cabo Verde podem ter ditado o naufrágio do "Vicente"cujo paradeiro ainda é uma incógnita.